Feriado surpresa é bom para quem?

Na última terça-feira, o investidor brasileiro se deparou com uma dúvida bastante inesperada: "Vai ter pregão amanhã?".
Feriado surpresa é bom para quem?
O investidor brasileiro se deparou com uma dúvida bastante inesperada na terça passada: "Vai ter pregão amanhã?".

O motivo da pergunta foi antecipação de feriados imposta de última hora pela Prefeitura de São Paulo como uma tentativa de aumentar as taxas de isolamento social e conter a disseminação do coronavírus na capital paulista, sede da B3 e principal centro financeiro da América Latina.

A medida gerou incerteza, deixando muitos investidores, empresários e o público, em geral, com dúvidas. Diante da possibilidade de fechamento de bancos e da Bolsa de Valores, o setor financeiro resolveu intervir, pressionando o governo.

Entre as razões, instituir um feriado, de uma hora para outra, paralisaria milhões de operações financeiras nos sistemas automatizados, como compensação de cheques, incidência de multa sobre atraso de pagamentos... Além, é claro, de afetar operações de hedge cambial.

Imagine que você estivesse contando com um recebimento para pagar outro compromisso, com vencimento apertado. De repente, a data que você receberia é alterada em cima da hora. Agora, extrapole isso para milhões de operações financeiras, incluindo algumas cruciais para o bom funcionamento de muitas empresas. Nada simples, não é?

Nosso sócio analista Raphael Figueredo também alertou para um ponto importantíssimo: manter os mercados abertos significa garantir a continuidade dos preços.

"Uma desvantagem em fechar a Bolsa aqui é que, com o mundo inteiro aberto, se acontece alguma coisa grandiosa que faz o mercado explodir, ou faz o mercado cair, quando a nossa Bolsa volta, ela volta ajustando de forma descontínua", comentou Rafi.

Ele ainda lembrou a última Quarta-Feira de Cinzas, que ficou conhecida no mercado como "Corona Day". Na ocasião, a Bolsa levou um tombo de 7% em poucas horas, ao reabrir após dois dias fechada em função do carnaval, enquanto mundo repercutia as notícias de transmissão comunitária do coronavírus nos EUA e agravamento da situação na Europa.

No final das contas, dessa vez, a Bolsa e os bancos permaneceram abertos.

E no #fintwit...
Tuíte retirado da thread de Dato Netto sobre a mudança repentina do calendário de feriados em São Paulo na tentativa de conter o avanço da pandemia.
Bancos na mira?
Nesta semana, Carlos Daltozo e Raphael Figueredo se reuniram para um papo dedicado exclusivamente ao setor bancário. Como deverão ser as respostas aos impactos desta crise? Quais as principais ações para ficar de olho? Com análises completas, com direito a gráficos e muita informação, os dois responderam estas perguntas e comentaram as recentes notícias envolvendo o setor financeiro, como a "pauta bomba" que está no Congresso. Assista à gravação abaixo:
O que vem por aí
Recentemente, nosso time de macroeconomia revisou as projeções de atividade econômica, inflação e câmbio para 2020 e 2021. Confira abaixo:
Para saber nossas projeções de desemprego, PIB, Inflação e Selic para o ano de 2021, libere seu acesso aqui.
A política, tema que deu início a esta newsletter, serviu como pano de fundo para o mais recente episódio do Podcast Eleven. Dato Netto comentou o peso das últimas notícias nos investimentos e como as afirmações desencontradas interferem (ou não) nos seus investimentos e na própria economia brasileira. Para ouvir, acesse aqui.
Você não precisa saber a direção da Bolsa para montar operações vencedoras
O gráfico acima é uma análise da força relativa dos setores da Bolsa brasileira, utilizando o Relative Rotation Graph (RRG). Parece complicado, mas na verdade é muito fácil de entender.

Esta é uma das ferramentas que Raphael Figueredo, o Rafi, usa para escolher as ações para compor operações de Long & Short, uma estratégia que não exige saber a direção da Bolsa para ser lucrativa. Basta que uma ação performe melhor do que a outra (como, por exemplo, cair menos), para que a operação seja lucrativa.

Ele vai explicar como tudo isso funciona e como você também pode montar Long & Shorts vencedores. Não perca a aula ao vivo e totalmente gratuita na próxima terça-feira (26/05). O que você gostaria de aprender? Acesse aqui para receber o link exclusivo da aula e enviar suas sugestões.
Resultados 1T20
A temporada de resultados segue revelando os números das empresas nos primeiros três meses do ano. Para a semana que vem, são esperados os balanços de duas importantes companhias do setor varejista, Magazine Luiza e Arezzo, além de Iguatemi, Embraer e outras. Confira a lista completa:
Estamos passando por um momento estressante, o que pode fazer com que você tome decisões equivocadas sobre seus investimentos. Existe uma maneira de você fazer com que isso não afete seu bolso. Entenda aqui.
  TIME ELEVEN
Semanalmente, nossos analistas comentam os principais acontecimentos dos mercados globais
 
Tatiana Brandt
Analista, CNPI
 
Banco Inter (BIDI11) - A culpa é da volatilidade
O Banco Inter divulgou seu balanço do primeiro trimestre e apresentou uma carteira de crédito expandida de R$ 5,6 bilhões, aumento de 57% em comparação ao mesmo período do ano passado. O segmento de crédito imobiliário, linha de maior expertise do banco, cresceu 30%; o consignado, 26%; o crédito para empresas, 293% e o cartão de crédito, 118%. Mas, no geral, entendemos que o resultado trimestral foi fraco, principalmente pelos efeitos do coronavírus. À frente, o Inter deverá passar pela crise bem capitalizado e com capacidade para retomar a trajetória de crescimento, quando houver uma maior previsibilidade em relação à conjuntura econômica do Brasil.
 
Tasso Vasconcellos
Analista, CNPI
 
PetroRio (PRIO3) - Antes cedo do que nunca
A PetroRio divulgou seu resultado do primeiro trimestre e apresentou uma produção recorde de óleo. Mas isso foi penalizado pelas vendas, que foram realizadas apenas em março, mês em que o Brent teve queda significativa, devido ao avanço da pandemia de coronavírus e à falta de alinhamento entre membros da Opep+ sobre a oferta de petróleo. Dessa forma, o preço médio de venda realizado pela companhia foi de US$ 31,8 por barril, sendo este o principal motivo para a receita totalizar R$ 223 milhões. Atravessado este cenário nebuloso no curto prazo, vemos, no médio e longo prazo, um caminho de captura de sinergias, ganho de escala e eficiência operacional para a empresa.
 
Raul Grego Lemos
Analista, CNPI
 
Even (EVEN3) - A good 1Q20, but missing launches
A Even divulgou seu balanço do primeiro trimestre e apresentou sólidos resultados, mostrando um bom indicador de vendas, apesar do baixo volume de lançamentos, que foi impactado pelas restrições impostas pela pandemia, como o fechamento dos estandes de vendas. Outros destaques positivos foram a aquisição de dois terrenos por permuta financeira e a posição de caixa de R$ 1 bilhão. Do lado negativo, a falta de perspectiva de retomada total das atividades deve ter impacto ainda mais significativo nos próximos trimestres. Mas, em nossa visão, o setor irá se recuperar no fim do ano e terá forte crescimento em 2021, devido ao cenário econômico mais favorável, com a taxa de juros em patamares baixos.
 
E um último pensamento pra inspirar seu final de semana...
"Se desestabilizar o mercado demais, a gente volta a subir juros"
Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, em live recente promovida pela Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB).

Campos Neto afirmou que por conta do espaço fiscal menor no Brasil, as medidas para dar liquidez acabam gerando aumento do prêmio de risco. Atualmente, a taxa básica de juros (Selic) está em 3% ao ano. O Comitê de Polí
tica Monetária (Copom) volta a se reunir em 16 e 17 de junho. O último comunicado do Copom deixou aberta a possibilidade de um novo corte, levando a taxa para 2,25%
 
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[Semanal] Em meio a tensões, Ibovespa dispara.

Confira a análise dos principais destaques do mercado nesta semana.


Aconteceu essa semana

[De 18 a 22/05]
 

Em meio a tensões, Ibovespa dispara

Após as turbulências causadas pela saída de Nelson Teich do Ministério da Saúde na semana passada, tudo indicava que essa seria também uma semana difícil. Não foi. As polêmicas envolvendo o senador Flávio Bolsonaro não foram pra frente, assim como não repercutiu negativamente a divulgação do vídeo da reunião ministerial que corroboraria as acusações de Moro a Bolsonaro.

Sem novas bombas, o Ibovespa acumulou alta de quase 6%. Grande ajuda veio de dados promissores sobre uma possível vacina para o COVID-19, ainda que muito preliminares.

Do lado corporativo, a temporada de balanços segue a todo vapor. Soma-se a isso, os prejuízos bilionários da Suzano com a alta do dólar e os ganhos também bilionários das varejistas com uma vitória na justiça.
 

Os destaques da semana:

  • Política e Economia: O famoso vídeo.
  • Corporativo: Sem parar, devolução de impostos e Temporada de Balanços.
  • Em destaque: Dólar sobe, Suzano cai.  
  • No exterior: EUA, China e Vacina.

Por enquanto, tudo bem.

A semana tinha tudo para ser marcada por novas turbulências políticas. O fim de semana passado trouxe novas denúncias envolvendo a Polícia Federal e a família Bolsonaro, enquanto a expectativa era alta para a divulgação do vídeo da reunião ministerial na qual, segundo o ex-Ministro Sérgio Moro, suas acusações seriam confirmadas. 

De um lado, as denúncias de que o Senador Flávio Bolsonaro teria tido acesso antecipado a investigações não tiveram novos desdobramentos. De outro, a divulgação do tão aguardado vídeo da reunião ministerial não parece ter trazido elementos novos. O índice futuro, inclusive, se comportou positivamente ao longo da divulgação do vídeo.

Contudo, é importante lembrar que a divulgação se deu após o fechamento do mercado à vista e não havia sido terminada quando o mercado de futuros se encerrou. Esse deve ser o tema político central durante o fim de semana e não dá pra descartar novas repercussões na abertura da Bolsa de segunda-feira.

Siga bem, caminhoneiro.

Distanciamento social, home-office e pessoas tentando ficar em casa. Sabemos que nem todos podem ficar em casa para exercer atividades essenciais, como os profissionais da Saúde. Para manter as cadeias de suprimento e logísticas no Brasil, os caminhoneiros também estão na ativa.

Uma parceria entre JBS (JBSS3) e a CCR (CCRO3) distribuirá 10 mil kits de sabonetes à classe durante a pandemia, no Plano de Apoio aos Caminhoneiros. Além disso, a CCR vem realizando diversos atendimentos nas rodovias que administra, oferecendo vales-refeições, vales-banhos, desinfecção de cabines e auxílio médico. 

Cobrança indevida.

Decisões favoráveis na justiça, que favorecem varejistas como Lojas Renner (LREN3), Hering (HGTX3) e Via Varejo (VVAR3 ), foram anunciadas ao longo da semana. As 3 varejistas, em conjunto, conseguiram um crédito fiscal de quase R$2 bilhões.

Esse crédito fiscal se deve à vitória das companhias na justiça referente à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e COFINS. Com a decisão da justiça, as cobranças passadas são consideradas indevidas e poderão ser utilizadas como crédito fiscal.

Apesar dos recursos não irem diretamente para o caixa, as Empresas poderão abater esses valores no pagamento futuro de impostos. A Lojas Renner saiu na frente, com recebimento de R$1,3 bilhão, na sequência, a Via Varejo, com cerca de R$370 milhões, e a Hering, com aproximadamente R$280 milhões.

Temporada de balanços.

A Lojas Renner (LREN3), referência de qualidade dentre as empresas de varejo no Brasil, apresentou resultados sinalizando fortes impactos pelo COVID-19. O lucro líquido da Empresa caiu cerca de 90%, com o e-commerce, que ainda é pequeno, não sendo suficiente para suprir as perdas com as lojas físicas fechadas.

A Usiminas (USIM5) foi outra empresa a apresentar prejuízo no primeiro trimestre de 2020. O lucro de R$76 milhões auferido no mesmo período do ano passado foi revertido para um prejuízo de R$424 milhões em 2020, demonstrando impactos do enfraquecimento na atividade econômica também em função do COVID-19. 

Também divulgaram resultados ao longo da semana:

Protegido, mas nem tão hedge assim.

Muita gente pergunta: O que devemos ter na carteira em momentos de queda do Ibovespa? Muita gente responde: Ativos com exposição ao dólar, como, por exemplo, Suzano (SUZB3). Isso faz total sentido, já que a Suzano é uma gigante no segmento de celulose e  sua receita vem 90% das exportações.

"Não tem como dar errado" (ouvir isso chega a dar um calafrio): a Empresa tem a maior parte do seu caixa exposto à moeda mais poderosa do mundo. Com o dólar a quase R$6,00, é só multiplicar tudo que ela ganha em reais por 6. Porém, amigo leitor, estamos aqui para te contar que as coisas não são tão simples assim.
 
Se a receita vem em dólares, a dívida também vem. Se esse fosse o único problema, as exportadoras estariam bem ou, pelo menos, no zero a zero. Sobe dívida, sobe caixa, o famoso hedge natural. Mas essa vantagem acaba quando vivemos um momento de forte volatilidade. Imagine o seguinte cenário: Mercados globais voláteis, câmbio volátil, preço da celulose somando mais uma variável. Resultado: Perda da referência e da competitividade.  

Fora isso, vocês não contavam com a astúcia da Suzano. É usual que empresas de exportação utilizem o hedge cambial, que nada mais é que um mecanismo de proteção de seus resultados. No caso da Suzano, se o dólar ficasse abaixo dos R$5,20, ela estaria protegida e, vamos combinar, dólar acima dos R$5,00 só se acontecesse alguma coisa muito bizarra. E aconteceu, caro leitor. Como dissemos, hoje observamos o dólar flertando com os R$6,00. 

Ainda mantemos nosso otimismo em relação a Suzano numa visão de longo prazo, afinal, a Companhia tem posição gigante e muito importante no seu segmento de atuação, mas as tensões de curto prazo continuam no ar. Como dizem por aí: “o câmbio foi criado por Deus para humilhar os economistas”. 

As letras pequenas do contrato comercial.

A escalada de tensões entre os Estados Unidos e a China volta a tomar forma novamente esta semana. Como comentado aqui na semana passada, as duas potências já não estavam se entendendo bem, resultando em ameaças e acusações dos dois lados. O presidente Donald Trump chegou até a colocar em dúvida a origem do vírus, insinuando envolvimento do país asiático. Agora, dois motivos são somados ao crescente embate. 

O primeiro tem relação com o mercado de capitais norte-americano. Esta semana, uma das maiores empresas chinesas listadas na Bolsa americana, a startup chinesa Luckin Coffee, caiu forte com notícias de fraude contábil. A Nasdaq divulgou novas regras contábeis para dificultar a entrada de empresas chinesas na Bolsa. 

O Senado aprovou na quarta-feira (20) algumas medidas que podem ocasionar a deslistagem de algumas empresas da China. O projeto também solicita a certificação de que tais empresas não estariam sob o controle de um governo estrangeiro ou que passassem pela auditoria de uma agência de contabilidade americana para atestar tal condição. O assunto ainda está longe de ser encerrado e as empresas asiáticas não vão sair tão facilmente do poderoso mercado de capitais do Tio Sam. 

O segundo motivo é ainda mais dramático. A China quer impor uma nova Lei de Segurança Nacional na cidade de Hong Kong para ampliar o controle do Partido Comunista Chinês (PCC). A nova lei provocou protestos em Hong Kong e reação mais negativa vindo dos EUA, que pressionou Pequim para que reconsiderasse a medida. 

Mesmo com todas as ameaças de Trump, o presidente Xi Jinping retrucou dizendo que irá fazer o que quiser em Hong Kong e que não tem medo das consequências, tornando mais sensível a novela do acordo comercial entre os dois países e colocando em dúvida a recuperação da economia mundial no pós pandemia. 

A sina da cura.

No início da semana, o otimismo tomou conta das principais Bolsas mundiais com a nova notícia de resultados promissores de uma vacina experimental que poderia ajudar no combate ao vírus. A vacina, criada pela empresa americana de biotecnologia Moderna Therapeutics, ajudava a criar uma resposta do sistema imunológico. Em dados iniciais, as oito primeiras pessoas, dos 45 voluntários que tomaram duas doses da vacina, estavam protegidas e não apresentaram efeitos colaterais graves. 

Não foi divulgado, porém, informações sobre os demais voluntários. Com isso, o otimismo puxou o freio de mão, levando em conta que tais resultados não seriam suficientes para atestar o sucesso do fármaco. Além disso, o resultado não foi publicado em nenhuma revista científica, dificultando saber a metodologia utilizada. A Empresa será autorizada a passar para a próxima fase da pesquisa, em que pode contar com 600 voluntários. Além da Moderna, outra instituição de pesquisa, a chinesa CanSino, avança com resultados pré-clínicos já publicados na revista Science.

Bolsa Variação*
Nasdaq 3,44%
S&P500 3,20%
Dow Jones 3,55%
FTSE100 3,34%
DAX 5,80%
Xangai Composto -1,91%
*Variações semanais até às 18:00 de sexta-feira.

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