Confira a análise dos principais destaques do mercado nesta semana.
Aconteceu essa semana
[De 18 a 22/05]
Em meio a tensões, Ibovespa dispara
Após as turbulências causadas pela saída de Nelson Teich do Ministério da Saúde na semana passada, tudo indicava que essa seria também uma semana difícil. Não foi. As polêmicas envolvendo o senador Flávio Bolsonaro não foram pra frente, assim como não repercutiu negativamente a divulgação do vídeo da reunião ministerial que corroboraria as acusações de Moro a Bolsonaro.
Sem novas bombas, o Ibovespa acumulou alta de quase 6%. Grande ajuda veio de dados promissores sobre uma possível vacina para o COVID-19, ainda que muito preliminares.
Do lado corporativo, a temporada de balanços segue a todo vapor. Soma-se a isso, os prejuízos bilionários da Suzano com a alta do dólar e os ganhos também bilionários das varejistas com uma vitória na justiça.
Os destaques da semana:
Política e Economia: O famoso vídeo.
Corporativo: Sem parar, devolução de impostos e Temporada de Balanços.
Em destaque: Dólar sobe, Suzano cai.
No exterior: EUA, China e Vacina.
Por enquanto, tudo bem.
A semana tinha tudo para ser marcada por novas turbulências políticas. O fim de semana passado trouxe novas denúncias envolvendo a Polícia Federal e a família Bolsonaro, enquanto a expectativa era alta para a divulgação do vídeo da reunião ministerial na qual, segundo o ex-Ministro Sérgio Moro, suas acusações seriam confirmadas.
De um lado, as denúncias de que o Senador Flávio Bolsonaro teria tido acesso antecipado a investigações não tiveram novos desdobramentos. De outro, a divulgação do tão aguardado vídeo da reunião ministerial não parece ter trazido elementos novos. O índice futuro, inclusive, se comportou positivamente ao longo da divulgação do vídeo.
Contudo, é importante lembrar que a divulgação se deu após o fechamento do mercado à vista e não havia sido terminada quando o mercado de futuros se encerrou. Esse deve ser o tema político central durante o fim de semana e não dá pra descartar novas repercussões na abertura da Bolsa de segunda-feira.
Siga bem, caminhoneiro.
Distanciamento social, home-office e pessoas tentando ficar em casa. Sabemos que nem todos podem ficar em casa para exercer atividades essenciais, como os profissionais da Saúde. Para manter as cadeias de suprimento e logísticas no Brasil, os caminhoneiros também estão na ativa.
Uma parceria entre JBS (JBSS3) e a CCR (CCRO3) distribuirá 10 mil kits de sabonetes à classe durante a pandemia, no Plano de Apoio aos Caminhoneiros. Além disso, a CCR vem realizando diversos atendimentos nas rodovias que administra, oferecendo vales-refeições, vales-banhos, desinfecção de cabines e auxílio médico.
Cobrança indevida.
Decisões favoráveis na justiça, que favorecem varejistas como Lojas Renner (LREN3), Hering (HGTX3) e Via Varejo (VVAR3 ), foram anunciadas ao longo da semana. As 3 varejistas, em conjunto, conseguiram um crédito fiscal de quase R$2 bilhões.
Esse crédito fiscal se deve à vitória das companhias na justiça referente à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e COFINS. Com a decisão da justiça, as cobranças passadas são consideradas indevidas e poderão ser utilizadas como crédito fiscal.
Apesar dos recursos não irem diretamente para o caixa, as Empresas poderão abater esses valores no pagamento futuro de impostos. A Lojas Renner saiu na frente, com recebimento de R$1,3 bilhão, na sequência, a Via Varejo, com cerca de R$370 milhões, e a Hering, com aproximadamente R$280 milhões.
Temporada de balanços.
A Lojas Renner (LREN3), referência de qualidade dentre as empresas de varejo no Brasil, apresentou resultados sinalizando fortes impactos pelo COVID-19. O lucro líquido da Empresa caiu cerca de 90%, com o e-commerce, que ainda é pequeno, não sendo suficiente para suprir as perdas com as lojas físicas fechadas.
A Usiminas (USIM5) foi outra empresa a apresentar prejuízo no primeiro trimestre de 2020. O lucro de R$76 milhões auferido no mesmo período do ano passado foi revertido para um prejuízo de R$424 milhões em 2020, demonstrando impactos do enfraquecimento na atividade econômica também em função do COVID-19.
Muita gente pergunta: O que devemos ter na carteira em momentos de queda do Ibovespa? Muita gente responde: Ativos com exposição ao dólar, como, por exemplo, Suzano (SUZB3). Isso faz total sentido, já que a Suzano é uma gigante no segmento de celulose e sua receita vem 90% das exportações.
"Não tem como dar errado" (ouvir isso chega a dar um calafrio): a Empresa tem a maior parte do seu caixa exposto à moeda mais poderosa do mundo. Com o dólar a quase R$6,00, é só multiplicar tudo que ela ganha em reais por 6. Porém, amigo leitor, estamos aqui para te contar que as coisas não são tão simples assim.
Se a receita vem em dólares, a dívida também vem. Se esse fosse o único problema, as exportadoras estariam bem ou, pelo menos, no zero a zero. Sobe dívida, sobe caixa, o famoso hedge natural. Mas essa vantagem acaba quando vivemos um momento de forte volatilidade. Imagine o seguinte cenário: Mercados globais voláteis, câmbio volátil, preço da celulose somando mais uma variável. Resultado: Perda da referência e da competitividade.
Fora isso, vocês não contavam com a astúcia da Suzano. É usual que empresas de exportação utilizem o hedge cambial, que nada mais é que um mecanismo de proteção de seus resultados. No caso da Suzano, se o dólar ficasse abaixo dos R$5,20, ela estaria protegida e, vamos combinar, dólar acima dos R$5,00 só se acontecesse alguma coisa muito bizarra. E aconteceu, caro leitor. Como dissemos, hoje observamos o dólar flertando com os R$6,00.
Ainda mantemos nosso otimismo em relação a Suzano numa visão de longo prazo, afinal, a Companhia tem posição gigante e muito importante no seu segmento de atuação, mas as tensões de curto prazo continuam no ar. Como dizem por aí: “o câmbio foi criado por Deus para humilhar os economistas”.
As letras pequenas do contrato comercial.
A escalada de tensões entre os Estados Unidos e a China volta a tomar forma novamente esta semana. Como comentado aqui na semana passada, as duas potências já não estavam se entendendo bem, resultando em ameaças e acusações dos dois lados. O presidente Donald Trump chegou até a colocar em dúvida a origem do vírus, insinuando envolvimento do país asiático. Agora, dois motivos são somados ao crescente embate.
O primeiro tem relação com o mercado de capitais norte-americano. Esta semana, uma das maiores empresas chinesas listadas na Bolsa americana, a startup chinesa Luckin Coffee, caiu forte com notícias de fraude contábil. A Nasdaq divulgou novas regras contábeis para dificultar a entrada de empresas chinesas na Bolsa.
O Senado aprovou na quarta-feira (20) algumas medidas que podem ocasionar a deslistagem de algumas empresas da China. O projeto também solicita a certificação de que tais empresas não estariam sob o controle de um governo estrangeiro ou que passassem pela auditoria de uma agência de contabilidade americana para atestar tal condição. O assunto ainda está longe de ser encerrado e as empresas asiáticas não vão sair tão facilmente do poderoso mercado de capitais do Tio Sam.
O segundo motivo é ainda mais dramático. A China quer impor uma nova Lei de Segurança Nacional na cidade de Hong Kong para ampliar o controle do Partido Comunista Chinês (PCC). A nova lei provocou protestos em Hong Kong e reação mais negativa vindo dos EUA, que pressionou Pequim para que reconsiderasse a medida.
Mesmo com todas as ameaças de Trump, o presidente Xi Jinping retrucou dizendo que irá fazer o que quiser em Hong Kong e que não tem medo das consequências, tornando mais sensível a novela do acordo comercial entre os dois países e colocando em dúvida a recuperação da economia mundial no pós pandemia.
A sina da cura.
No início da semana, o otimismo tomou conta das principais Bolsas mundiais com a nova notícia de resultados promissores de uma vacina experimental que poderia ajudar no combate ao vírus. A vacina, criada pela empresa americana de biotecnologia Moderna Therapeutics, ajudava a criar uma resposta do sistema imunológico. Em dados iniciais, as oito primeiras pessoas, dos 45 voluntários que tomaram duas doses da vacina, estavam protegidas e não apresentaram efeitos colaterais graves.
Não foi divulgado, porém, informações sobre os demais voluntários. Com isso, o otimismo puxou o freio de mão, levando em conta que tais resultados não seriam suficientes para atestar o sucesso do fármaco. Além disso, o resultado não foi publicado em nenhuma revista científica, dificultando saber a metodologia utilizada. A Empresa será autorizada a passar para a próxima fase da pesquisa, em que pode contar com 600 voluntários. Além da Moderna, outra instituição de pesquisa, a chinesa CanSino, avança com resultados pré-clínicos já publicados na revista Science.
Esta mensagem e seus anexos contêm informações confidenciais destinadas a indivíduo e propósito específicos, sendo seu conteúdo protegido por lei. Caso você não seja a pessoa a quem foi dirigida a mensagem, deve apagá-la, sendo proibida sua utilização, acesso, cópia ou divulgação não autorizada. Este e-mail é apenas informativo, não constitui e não deve ser interpretado como solicitação de compra ou venda, oferta, análise ou recomendação de qualquer ativo financeiro, investimento, sugestão de alocação ou adoção de estratégias por parte dos destinatários. A Toro Corretora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda. ("Toro") não dá nenhuma segurança ou garantia, seja de forma expressa ou implícita, sobre a integridade, confiabilidade, atualização ou exatidão das informações contidas neste e-mail. Esta mensagem não tem a intenção de ser uma relação completa ou resumida dos mercados ou desdobramentos nele abordados. Os instrumentos financeiros discutidos neste material podem não ser adequados para todos os investidores. Este material não leva em consideração os objetivos de investimento, situação financeira ou necessidades específicas de qualquer investidor, inclusive do destinatário. O investimento em ações é considerado de risco e rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. Na realização de operações com derivativos existe a possibilidade de perdas superiores aos valores investidos, podendo resultar em significativas perdas patrimoniais. As informações deste e-mail são válidas na data de sua publicação. Qualquer informação contemplada neste material deve ser confirmada quanto às suas condições, antes da conclusão de qualquer negócio. Cada investidor deverá obter orientação financeira independente, com base em suas características pessoais, antes de tomar uma decisão de investimento. Qualquer decisão deverá ser tomada tendo por base as próprias fontes de informação do investidor e de sua análise de crédito. A Toro não se responsabiliza por decisões de investimentos que venham a ser tomadas com base nas informações divulgadas e se exime de qualquer responsabilidade por quaisquer prejuízos, diretos ou indiretos, que venham a decorrer da utilização deste material ou seu conteúdo. Para informações e dúvidas, favor contatar a assessoria da Toro. Para reclamações, contate nossa Ouvidoria no telefone 0800 941 0820 nos horários de 09:00 às 18:00, de segunda a sexta. Mais informações sobre as regras e políticas aplicáveis à relação entre a Toro e seus clientes estão disponíveis em www.toroinvestimentos.com.br > Regulamentação.