As duas ações caíram e eles ganharam dinheiro

Você lembra o dia exato que se interessou pelo mercado financeiro?
As duas ações caíram e eles ganharam dinheiro
Você lembra o dia exato que se interessou pelo mercado financeiro?

Eu não apenas me interessei... Eu me apaixonei pelo mercado no dia 9 de novembro de 2007.

Era começo da tarde de uma sexta-feira e eu, após algumas horas de estrada, havia acabado de chegar na praia com minha família.

Chegamos mais cedo do que o usual e uma coisa me chamou a atenção: Como era possível tantos barcos navegando se era um dia útil comum e a bolsa estava aberta, com o pregão rolando a todo vapor?

Não parecia difícil conseguir me dedicar mais do que os donos daquelas embarcações para, no futuro, fazer o dinheiro trabalhar para mim. Típica ambição ingênua de um jovem de 20 anos.

Será que, se em vez de ir para a praia antes do fim da semana, eu acompanhasse o mercado todos os dias, minuto a minuto, eu teria uma vantagem sobre eles?

Fiz essa pergunta ao meu pai, que me sugeriu:

— Por que você não busca um estágio em um fundo de investimento?

Hoje, sei que minha pergunta foi fruto de uma inocente ignorância e também que o caminho sugerido pelo meu pai foi um belo de um conselho.

Bom, talvez eu não deva me cobrar tanto assim. Afinal, aquela sexta-feira foi tudo, menos um dia normal no mercado.

No dia anterior, a Petrobras havia anunciado a conclusão das análises da área de Tupi, que foi rebatizada para Lula, a descoberta que chamou a atenção do mundo para o pré-sal.

Entre a manhã de quinta e a abertura do pregão, na sexta, as ações da Petrobras já tinham disparado quase 30%!

Porém, ainda no pregão de sexta, apenas durante as poucas horas da viagem até a praia, as mesmas ações já haviam caído mais de 10%.

Cada barco que passava me fazia pensar: será que os donos daquelas embarcações estavam totalmente alheios à situação? Será que se eles estivessem trabalhando, atentos ao mercado, poderiam ter vendido as ações na máxima da sexta? Ou será que tinham acumulado patrimônios grandes demais para que se importassem?

Hoje eu sei que, pelo contrário, muitos poderiam facilmente estar operando na bolsa via celular, ali mesmo do mar. Inclusive movimentando volumes maiores do que a soma de milhares de pequenos investidores. Outros, de fato, não se importam tanto com as oscilações de preço do dia a dia.

A heterogeneidade dos seus participantes é um dos aspectos mais interessantes do mercado.

Tem investidor de todo tipo e não há nada de errado com isso.

Faz todo sentido, por exemplo, que um empresário de sucesso foque o seu tempo nos seus negócios e confie a gestão do seu patrimônio a profissionais que vivem do mercado.

Seguindo o conselho do meu pai, foram justamente esses profissionais que eu fui buscar para responder às questões que inundaram minha cabeça naquela sexta-feira.

Semanas depois, ainda em 2007, entrei para o meu primeiro estágio. Foi na FIDES Asset, uma gestora pioneira de fundos do Rio de Janeiro, fundada em 2002.

Nunca vou me esquecer do primeiro dia... Os fundadores me receberam com um enorme carinho e tiraram o dia para me explicar os pilares que norteavam a filosofia de investimento da casa.

Me senti dentro da histórica cena de abertura do filme Matrix, no qual o protagonista, Neo, é forçado a fazer uma difícil escolha: tomar a pílula azul e retornar à sua vida ilusória ou optar pela pílula vermelha e encarar o assombroso desafio de conhecer a dura realidade.

Tomei a pílula vermelha e entrei definitivamente para a escola fundamentalista. Dentro do mesmo contexto, também me convenceram sobre as oportunidades (e riscos) escondidas em small caps, as pequenas empresas que nem sempre recebem tanta atenção.

Já nessa primeira conversa, caiu por água abaixo aquela minha ideia de que, se me dedicasse a acompanhar cada minuto do mercado, seria fácil obter alguma vantagem.

Não só tem gente muito boa fazendo isso todos os dias, como existem também complexos sistemas automáticos que buscam aproveitar cada mínima distorção de mercado, na frequência de milésimos de segundos.
Além do mais, obviamente, ninguém tem a capacidade de sempre acertar topos e fundos.

Se fosse fácil… né?

Entre tudo isso, teve uma coisa que me chamou especial atenção naquele dia.

No final de 2007, os mercados mundo afora já estavam meio cismados, voláteis, com o noticiário de falências e calotes com origem nas hipotecas americanas podres. Já era significativo o impacto em algumas instituições financeiras, que reportavam grandes prejuízos.

Enquanto alguns fundos da FIDES sentiam as bruscas oscilações diárias, era incrível como outros tinham um comportamento muito mais suave (para baixo ou para cima). No final da minha primeira semana, o gestor estava comemorando o encerramento de uma misteriosa operação lucrativa composta por duas empresas do setor elétrico.

Mas tinha um detalhe que me deixou encucado: as ações das duas empresas tinham caído fortemente e mesmo assim a operação foi muito lucrativa. Como pode?

Não sosseguei até entender exatamente como aquilo era possível e foi assim que vi a beleza por trás desse tipo de operação. Descobri também que, ainda no final de 2003, a FIDES foi umas das pioneiras, lançando um dos primeiros fundos focados nessa estratégia no Brasil.

Vamos direto ao ponto: que operação é essa?

Trata-se do Long & Short, que consiste simplesmente em "acreditar" que uma ação vai ter uma performance melhor do que outra.

Imagine que você não tem a menor ideia se, a partir de agora, a Bolsa vai entrar em uma forte recuperação ou se faremos novas mínimas com a continuidade dos efeitos negativos da pandemia.

Suponha que, por exemplo, nesse cenário, você acredita que a Azul (AZUL4) terá desempenho melhor do que a GOL (GOLL4), mesmo durante a crise.

Você pode montar uma operação Long & Short na qual a única coisa que importa para que você ganhe dinheiro é que a AZUL4 apresente melhor performance sobre GOLL4.

A beleza da operação Long & Short é que ela não visa a alta de uma ou outra ação.

No exemplo que acabei de dar a você, pode até ser que tanto as ações da Azul, quanto as da GOL caiam durante o curso da operação, basta apenas que a Azul caia menos ante a GOL para que seja lucrativa.

Note como umas das principais vantagens desse tipo de operação é a possibilidade de maior controle nesses momentos em que tudo cai junto, independentemente da qualidade das empresas. O famoso "risco sistêmico." O que importa mesmo é a performance relativa.

O exemplo acima é bastante didático porque é mais fácil fazer comparações e conjecturas sobre a performance relativa futura entre empresas do mesmo setor.

Foi assim que eu aprendi lá na FIDES.

Agora vamos dar um passo além. E se, por exemplo, você acreditar que as pessoas não irão parar de comer na crise, mas irão voar menos?

É possível montar operações de Long & Short acreditando que, por exemplo, as ações do Carrefour Brasil vão se sair melhor (ou menos pior) que as da GOL? Ou que, com a alta do dólar, uma empresa exportadora irá performar melhor do que uma outra altamente endividada em moeda estrangeira?

Sim! Enquanto Long & Shorts são tradicionalmente intrasetorias, montados entre empresas do mesmo setor, muitas vezes, os mais interessantes são os intersetorias, que buscam ganhar com a performance relativa entre ações de empresas com dinâmicas diferentes, pertencentes a setores diferentes.

Esse é um dos grandes diferenciais dos Long & Shorts que o Dato e o Rafi recomendam aqui na Eleven com base em modelos proprietários que desenvolveram no método Fusion.

O método parte de uma base essencialmente macro e fundamentalista, a partir da qual são introduzidas considerações sobre o fluxo, permitindo montar operações visando a performance relativa entre qualquer par de ações.

Por exemplo, a operação Drunk Chicken, um Long & Short buscando uma melhor performance da produtora de alimentos, BRF, em relação à empresa de bebidas, Ambev, que resultou em lucro de +9,78% em apenas um dia.

É claro que nem todas as operações Long & Short terminam em lucro. Você precisa acertar a direção da performance relativa, ou seja, qual ação se sairá melhor (ou menos pior) que a outra. Mas, a grande vantagem é que você não precisa saber a direção geral da bolsa para isso.

Desde quando o Rafi gravou uma videoaula sobre Long & Short, a Eleven evoluiu muito nas técnicas por trás do método, incluindo a utilização das mais promissoras ferramentas de análise de fluxo relativo, como o incrível Relative Rotation Graph (RRG), inventado pelo holandês Julius de Kempenaer. Aliás, o Julius virá ao Brasil para a aula presencial da segunda turma do Método Fusion - o Curso.

Ciente de toda essa evolução, muita gente tem nos pedido para que o Rafi faça uma nova aula gratuita sobre o tema. Eu mesmo já pedi para ele! E você, quer que ele divida todo esse conhecimento sobre Long & Short? Inscreva-se aqui para não perder a aula e envie sugestões de temas.

Ah, importante, as recomendações de Long & Short da Eleven, assim como todas as outras, você encontra aqui.
 
 
 
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