[Semanal] Nova baixa na Saúde.

Confira a análise dos principais destaques do mercado nesta semana.


Aconteceu essa semana

[De 11 a 15/05]
 

Nova baixa na Saúde

Enquanto o número de casos da COVID-19 segue em franca expansão no Brasil, o Ministério da Saúde perdeu novamente seu chefe. Nelson Teich foi demitido nesta sexta-feira (15), menos de um mês após a queda de seu antecessor, Luiz Henrique Mandetta. É mais incerteza e turbulência vindas de Brasília.

O impacto só não foi mais severo porque ainda surgem notícias positivas no exterior, conforme diversos países vão tateando no processo de reversão das quarentenas. Mas nem tudo são flores: nos EUA, por exemplo, há alertas de que pode ser muito cedo para realizar esse movimento.

Na temporada de balanços, vimos esse mesmo cenário de altos e baixos. Petrobras e Via Varejo tiveram números que surpreenderam positivamente, apesar do prejuízo histórico da Petroleira no primeiro trimestre do ano. Mas, destaque mesmo, foram as empresas de proteína animal, que se beneficiaram da alta do dólar e também de um consumo aquecido por seus produtos.
 

Os destaques da semana:

  • Política e Economia: A queda de Teich.
  • Corporativo: Estreia na bolsa, resgate às aéreas e temporada de balanços.
  • Em destaque: Proteínas no radar.    
  • No exterior: Tensões EUA e China, economia mundial e petróleo.

Já pode pedir música no Fantástico.

Após Mandetta e Moro, agora foi a vez de Nelson Teich abandonar o Governo. É o terceiro ministro em menos de 1 mês. Os motivos foram muito semelhantes aos de seu antecessor: as discordâncias com o Presidente acerca da importância da quarentena no combate ao coronavírus e, mais recentemente, a insistência de Bolsonaro na ampliação do uso de cloroquina no tratamento da doença mesmo sem embasamento científico para tal.

A saída do Ministro coloca mais um elemento de incerteza sobre a atual conjuntura. De um lado, aumenta a instabilidade política, o que é sempre prejudicial, diminuindo a capacidade de projeção sobre o futuro e, com isso, aumentando os prêmios de risco. 

De outro, fica a incógnita sobre a postura do governo federal em relação à quarentena. Ela é, infelizmente, um mal necessário para a contenção da pandemia nesse momento. A flexibilização precoce das medidas de isolamento pode forçar novas restrições no futuro, trazendo novos e, talvez, mais severos prejuízos sobre a atividade econômica. 

E tudo isso em meio às investigações sobre as acusações do ex-Ministro Sérgio Moro a Bolsonaro. Nesta semana, o cenário político gravitou em torno da divulgação (ou não) das gravações de uma reunião entre o Presidente e vários de seus ministros, na qual, segundo Moro, comprovariam-se suas alegações. 

Há quem diga que haveria ali inclusive material suficiente até mesmo para um processo de impeachment. Tudo muito incerto, mas a temperatura só sobe em Brasília, assim como o dólar, que mostra a crescente aversão ao risco com o País.

Estréia na bolsa.

Após precificar seu IPO em R$10,50, no piso da faixa, a Allpark (ALPK3), controladora rede de estacionamentos Estapar, estreou na bolsa na sexta-feira (15). Em um mercado menos aquecido do que no início do ano, quando os IPOs saiam mais próximos ao topo da faixa, a oferta movimentou cerca de R$350 milhões. A estréia não foi das melhores, a Estapar abriu na Bolsa cotada em R$8,99, 14% abaixo do preço do IPO.

Em caso de despressurização da cabine, recursos adicionais cairão do BNDES.

Já não é segredo para ninguém que as companhias aéreas (e demais empresas na cadeia do turismo, incluindo municípios que dependem do setor) passam por um momento turbulento em função do isolamento social. O panorama gerou cancelamentos, reembolsos e uma baixa demanda por viagens, mesmo para horizontes mais longos. 

As Empresas vêm tentando fazer o possível, reduzindo custos/despesas e se adaptando. A Azul (AZUL4), por exemplo, acordou com a Embraer (EMBR3) uma postergação de entregas de aeronaves que estavam previstas para 2020 e 2023 e está buscando rentabilizar sua frota parada ao usar as aeronaves de passageiros para realizar transporte de cargas. Já a Gol ( GOLL4), além adotar uma postura conservadora em relação ao consumo de caixa, cortou o recebimento de aeronaves da Boeing que seriam entregues entre 2020 e 2022.

Nesta sexta-feira (15), o BNDES informou que as três maiores companhias aéreas do Brasil (Gol, Azul e Latam) aceitaram os termos para uma operação de socorro ao segmento coordenada por um sindicato composto pelo próprio BNDES e por bancos privados. O pacote de ajuda pode chegar a até R$6 bilhões, sendo R$2,4 bilhões a parte do BNDES, R$500 milhões de bancos privados e o restante de instrumentos como debêntures conversíveis.

Temporada de balanços.

Mais uma semana com diversas divulgações de resultados bem esperados pelo mercado, como de Petrobras e Via Varejo.

A Petrobras (PETR4) apresentou no primeiro trimestre de 2020 um prejuízo líquido de R$48,5 bilhões, revertendo o lucro de R$4 bilhões no mesmo período do ano passado. Apesar do resultado, que foi muito impacto por ajustes contábeis (impairments), a Companhia apresentou melhorias operacionais como a redução do custo de produção.

A Via Varejo (VVAR3) reportou a reversão do prejuízo de R$50 milhões apresentadas no 1T19 para um lucro líquido de R$13 milhões no primeiro trimestre de 2020. A Companhia demonstra diversas melhorias na operação e a força do e-commerce. Mesmo com as lojas físicas fechadas em função da quarentena, a Via Varejo conseguiu mostrar números fortes.

Também divulgaram resultados ao longo da semana:

  • Iochpe-Maxion (MYPK3)
  • JBS (JBSS3)
  • Direcional (DIRR3)
  • Cyrela (CYRE3)
  • EzTec (EZTC3)
  • Ânima (ANIM3)
  • Suzano (SUZB3)
  • Azul (AZUL4)
  • Vivara (VIVA3)
  • Enauta (ENAT3)
  • Movida (MOVI3)
  • Banco ABC (ABCB4)
  • SLC Agrícola (SLCE3)
  • Ultrapar (UGPA3)
  • Locaweb (LWSA3)
  • Santos Brasil (STBP3)
  • Tegma (TGMA3)
  • Trisul (TRIS3)
  • Sinquia (SQIA3)
  • Banrisul (BRSR6)
  • Mitre (MTRE3

Vai ter ou não vai ter churrasco?

O dia das mães passou. O tradicional churrasco para festejar o dia das matriarcas da família não aconteceu, afinal, a maioria de nós está dentro de casa. Mas quem disse que ficar em casa é sinônimo de dieta está enganado. Pelo menos foi o que os números divulgados pela BRF (BRFS3) nos disseram. 

Em meio a tanta notícia negativa, os resultados do primeiro trimestre do ano para BRF surpreenderam o mercado de forma positiva. Receita líquida, EBITDA ajustado, aumento nas vendas, tudo sendo impulsionado pelas exportações, o que ainda contou com o dólar na casa dos R$5,00 (caminhado para R$6,00, mas vocês ainda não estão prontos para essa conversa). 

Não apenas o dinheiro gringo, mas também os nossos reais, ajudaram a BRF ganhar o prémio de maior alta do Ibovespa da semana. As vendas de alimentos processados no Brasil tiveram um crescimento relevante nesse trimestre. Lembrando que a BRF é dona das marcas Perdigão e Sadia, presunto e mussarela nunca estiveram tão em alta. 

Além da BRF, outras empresas do segmento de alimentos ganharam destaque na semana, por exemplo, a Marfrig (MRFG3), que chegou a subir mais de 10%. A Companhia voltou a exportar carne bovina in natura para os Estados Unidos. Além do aumento da demanda, a Marfrig também se beneficia do atual cenário do dólar que comentamos. 

Mas, como no mercado as coisas nem sempre terminam em pizza (ou em churrasco), os números do primeiro trimestre deste ano da JBS (JBSS3) não foram tão legais assim. A Empresa apresentou prejuízo líquido e aumento das despesas, por conta da valorização do dólar, fora a entrega fraca vinda dos EUA, já que a JBS suspendeu temporariamente as atividades de algumas plantas por lá. Se você tem JBS na carteira, muita calma nessa hora. A empresa não é ruim, só está passando por um momento delicado. 

Concluímos o seguinte: O churrasco continua adiado, o dólar continua subindo, o comércio internacional continua importante e o brasileiro continua comendo. 

Portões difíceis de se abrir.

A reabertura gradual da economia começou em alguns países da Europa e em alguns estados americanos como havíamos comentado na semana passada. Porém, algumas questões e situações internacionais podem frear o bom humor quanto à tentativa de voltar a uma vida “normal”. 
 
A China mostrou aumento nos dados de produção industrial pela primeira vez desde o começo da pandemia. O crescimento foi de 3,9%, ante 1,5% de expectativa, mostrando certo ânimo dos empresárias chineses mesmo com o consumo ainda fraco. Contudo, o índice chinês caiu na semana com tensões entre EUA-China que, novamente, colocam as relações comerciais entre os dois países em cheque. O atrito surge com o desentendimento entre os dois países sobre a origem do vírus. Somado a isso, o presidente Donald Trump assinou a extensão das sanções contra a Huawei até o final do ano, agravando o cenário. 
 
Nas Bolsas americanas a semana também foi de queda, com as medidas de retorno da economia sendo colocadas à prova por autoridades de saúde do país. Para Anthony Fauci, principal nome do combate às doenças infecciosas nos Estados Unidos, podemos ver um novo surto do vírus, uma segunda onda, se a retomada for muito precoce, o que atrasará ainda mais a recuperação econômica. 
 
Jerome Powell, presidente do Banco Central dos EUA, fez pronunciamento na semana alertando que não se pode ter uma previsão muito correta do que vai acontecer com a economia e que a crise pode ter atrasado cerca de quatro anos de crescimento da economia global. 
 
Ainda nos EUA, os principais índices sentiram os dados de seguro desemprego, que vieram acima da expectativa. Os pedidos somaram quase 3 milhões, ante expectativa de 2,5 milhões.

Petróleo volta a subir.

Depois de semanas conturbadas, com notícias que fizeram os preços de contratos futuros de petróleo caírem abaixo de zero, vemos um alívio no setor depois que a Agência Internacional de Energia (AIE) melhorou suas perspectivas sobre a demanda, o que traria parte do equilíbrio necessário frente ao excesso de oferta observado nos últimos dias. 
 
A multinacional BP (British Petroleum) divulgou aumento no consumo esta semana. Além disso, a Saudi Aramco vem diminuindo as vendas de petróleo para EUA e Europa, em linha com os planos da Opep com cortes na produção. 
 
O contrato do WTI chegou a subir cerca de 23% na semana, enquanto o Brent chegou a subir cerca de 6%, refletindo as informações divulgadas. 

Bolsa Variação*
Nasdaq -1,17%
S&P500 -2,26%
Dow Jones -0,80%
FTSE100 -2,36%
DAX -4,05%
Xangai Composto -0,93%
*Variações semanais até às 18:00 de sexta-feira.

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Balanços do 1T20 e briga entre China e EUA estão nas mesas hoje

Hoje, às 12h30, nosso estrategista-chefe, Dato Netto, vai conversar ao vivo com o especialista em risco político Thiago de Aragão
Caso não consiga visualizar, acesse este link
Olá.

A agenda de LIVES ESPECIAIS da Eleven Financial está cheia de eventos importantes nos próximos dias.

Hoje, às 12h30, nosso estrategista-chefe, Dato Netto, vai conversar ao vivo com o especialista em risco político Thiago de Aragão. Eles vão debater a atual conjuntura brasileira, o andamento do Congresso e o fluxo de notícias de Brasília, além do impacto da crise provocada pela pandemia.

A transmissão será realizada em nosso canal do YouTube. Para assistir, utilize este link: https://youtu.be/mDpJ6j0fAn0

Balanços do 1T20 e briga entre China e EUA estão nas mesas hoje
A semana chega ao fim com mais uma rodada forte de balanços corporativos, com destaque para Petrobras, Suzano, JBS, CSN e B3. Apesar do fluxo de informações das empresas, os investidores podem ficar mais cautelosos enquanto acompanham o noticiário internacional. Lá fora, nem mesmo indicativos de retomada da atividade chinesa, país do qual o Brasil é grande parceiro comercial, podem minimizar sinais de novas tensões comerciais entre China e Estados Unidos. Além disso, um terremoto de magnitude 6,4, em Nevada (EUA), hoje, com impacto no leste da Califórnia, contribui para o mau humor dos investidores, sem contar os números fracos do varejo.

A relação comercial dos dois gigantes tem reflexo também no mercado de câmbio. Com a piora externa no radar e cautela sobre o cenário político e fiscal interno, a moeda americana chegou a operar em alta no início do dia. Há pouco, porém, o dólar futuro com vencimento em junho registrava queda de -0,81% sobre o Real, cotado a R$ 5,7722.

De volta ao mercado de Bolsa, a volatilidade ainda marca presença nas mesas de operação, embora a repercussão dos resultados do primeiro trimestre de 2020 seja relevante neste início de dia. A Petrobras, que tem importante peso no Ibovespa, informou na noite passada um prejuízo líquido atribuído aos acionistas de R$ 48,523 bilhões nos três primeiros meses do ano, ante lucro líquido de R$ 4,031 bilhões no mesmo período de 2019.

O resultado foi fruto de uma baixa de R$ 65,3 bilhões no valor dos ativos da companhia, devido, principalmente à queda dos preços do petróleo do tipo Brent e a novos níveis de câmbio. Antes, a estatal considerava que o preço médio do barril desse tipo de petróleo, que é a referência utilizada pela companhia, ficaria em US$ 65 a longo prazo. Agora, a Petrobras assume que o valor será de US$ 50 por barril. Em seu Planejamento Estratégico, a petrolífera vê o barril da commodity negociado a US$ 25 neste ano e a US$ 30 no próximo. Adicionalmente, a empresa pondera que haverá uma mudança "estrutural" na economia mundial após a crise que virá na esteira da pandemia da Covid-19.

A máquina de produção da temporada de balanços 1T20 está a todo vapor. Nosso time já publicou dezenas de análises dos resultados trimestrais de varejistas, bancos e exportadoras. Todos os dias nossos clientes recebem uma série de análises e recomendações, com preço-alvo. >>Veja aqui como ter acesso a Carteira da Eleven<<
A Suzano também foi impactada por um efeito não caixa, mas desta vez, relacionado ao dólar. O prejuízo líquido da fabricante de celulose foi de R$ 13,419 bilhões no trimestre, ante prejuízo de R$ 1,175 bilhão no mesmo período de 2019. Linhas como a de variações monetárias e cambiais, que registraram prejuízo de R$ 12,420 bilhões, foram fortemente impactadas pelo salto da moeda americana no trimestre. Com operações de proteção cambial, a perda da Suzano foi de R$ 9,059 bilhões, com a marcação a mercado dos valores.

Partindo para outras linhas do resultado, entretanto, o Ebitda subiu 10% na comparação anual, para R$ 3,026 bilhões, e a receita líquida se expandiu 22%, para R$ 6,981 bilhões. O preço médio líquido de celulose, de US$ 469 a tonelada, caiu 34% ante o quarto trimestre. Em reais, o preço líquido médio foi a R$ 2.060 a tonelada, alta de 7% em um trimestre, e queda de 23% em um ano. Atuaram como vetores contrários a depreciação do Real e a queda dos preços nominais em dólar.

Ainda no setor de commodities, porém mais voltada ao consumo interno, efeitos cambiais não caixa também levaram a um prejuízo na JBS, que fechou o trimestre com a última linha do balanço negativa em R$ 5,933 bilhões, ante lucro líquido de R$ 1,092 bilhão visto um ano antes. Neste caso, o efeito da variação cambial foi negativo em R$ 8,2 bilhões. Sem ele, o lucro teria sido de R$ 803,2 milhões.
O resultado do 1T20 da JBS foi abaixo das nossas expectativas devido ao desempenho mais fraco do que o esperado da JBS US Beef, compensado apenas parcialmente pelo forte resultado da Seara. >> Verifique condições para destravar seu acesso ao relatório completo.
No setor financeiro, a B3 teve lucro líquido de R$ 1,025 bilhão no primeiro trimestre, alta de 69,2% em um ano e de 39,8% em três meses. O crescimento veio com os elevados volumes de transações no mercado marcado pela extrema volatilidade trazida pela pandemia da Covid-19. O volume financeiro médio diário negociado no mercado à vista de ações de janeiro a março, por exemplo, cresceu 72% ante o visto um ano antes. Vale lembrar que, no período, uma série de circuit breakers e eventos internacionais trouxeram turbulência ao mercado. A receita total da B3 somou R$ 1,125 bilhão, crescimento de 38,7% em relação ao visto um ano antes.

Raphael Figueredo (o Rafi) comenta o noticiário e a intensa agenda econômica desta sexta. Aperte o play para conferir a gravação do Morning Call.
Bom final de semana!

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