Dólar a R$ 6,00? É bom se acostumar  A forte e rápida apreciação do dólar em relação ao real neste ano não parece ter fim. Pelo contrário. A moeda americana caminha para superar a marca de R$ 6,00 apenas dois meses depois de atingir pela primeira vez na história os R$ 5,00, em um cenário não só de crise por conta do coronavírus, mas também de tensões políticas. Matéria publicada hoje pelo InfoMoney (leia aqui) revela uma nova rodada de revisões das projeções cambiais do mercado financeiro, à medida que um contexto negativo se consolida no Brasil. A equipe do Deutsche Bank, por exemplo, avalia que a divisa americana poderá chegar a R$ 6,50 conforme o Brasil enfrente a pior recessão da sua história, uma vez que a pandemia do coronavírus expõe as reformas ainda não finalizadas no país, além do cenário político. Os analistas do Credit Suisse, por sua vez, projetam cotação de R$ 6,20 para o curto prazo, destacando exatamente a situação dos riscos políticos e dos juros baixos, que deixam o chamado carry trade (operação em que o investidor toma dinheiro emprestado a juros baixos e aplica em países de juros mais altos para ganhar na diferença) pouco atrativo. Segundo os analistas, desde a última atualização de cenário, no fim de abril, o que tem dominado o câmbio é a turbulência política, com preocupações relacionadas aos problemas legais do presidente Jair Bolsonaro e a posição do ministro Paulo Guedes na administração da economia. Além disso, os analistas apontam a política monetária agressiva do Banco Central, que cortou a Selic para 3% e já indicou que fará mais uma redução de até 0,75 ponto percentual. “A combinação de risco politico e políticas fiscais e monetárias agressivas tem levantado preocupações com relação à sustentabilidade dessas medidas no Brasil”, afirmam. A SPX também tem uma visão pessimista do cenário. Em carta aos cotistas, a gestora de Rogério Xavier afirmou que o cenário para o Brasil é “claramente negativo”, com o choque do coronavírus tendo pego o país em uma “posição frágil, com uma dívida pública extremamente elevada, vindo de déficits primários sequenciais e com um ambiente político conturbado”. Há, portanto, grande incerteza em relação à solvência de médio prazo do Brasil, com pressão sobre o câmbio e a política monetária. A gestora segue com posição "vendida" (com aposta na queda) em moedas de países emergentes. Beatriz Cutait, editora de Investimentos do InfoMoney |