Confira a análise dos principais destaques do mercado nesta semana.
Aconteceu essa semana
[De 25 a 29/05]
Quarentena em baixa, mercado em alta
Após as turbulências causadas pela saída de Nelson Teich do Ministério da Saúde na semana passada, tudo indicava que essa seria também uma semana difícil. Não foi. As polêmicas envolvendo o senador Flávio Bolsonaro não foram pra frente, assim como não repercutiu negativamente a divulgação do vídeo da reunião ministerial que corroboraria as acusações de Moro a Bolsonaro.
Sem novas bombas, o Ibovespa acumulou alta de quase 6%. Grande ajuda veio de dados promissores sobre uma possível vacina para o COVID-19, ainda que muito preliminares.
Do lado corporativo, a temporada de balanços segue a todo vapor. Soma-se a isso, os prejuízos bilionários da Suzano com a alta do dólar e os ganhos também bilionários das varejistas com uma vitória na justiça.
Os destaques da semana:
Política e Economia: O famoso vídeo.
Corporativo: Sem parar, devolução de impostos e Temporada de Balanços.
Em destaque: Dólar sobe, Suzano cai.
No exterior: EUA, China e Vacina.
A crise já chegou.
As manchetes econômicas desta sexta-feira (29) focaram em um único tema: a queda de 1,5% do PIB do primeiro trimestre deste ano. O valor é em comparação com o quarto trimestre de 2019. Se comparado com o primeiro trimestre do ano passado, a queda é de apenas 0,30%.
O número em si pode não parecer grande coisa, mas traz preocupações para o futuro. A primeira delas é em torno dos indicadores mais afetados: os serviços e o consumo das famílias, principais componentes do PIB brasileiro, foram também os que apresentaram as maiores quedas.
Em um contexto de quarentena, esses resultados fazem todo o sentido, dado que ambos são fortemente impactados quando as pessoas não podem sair de casa. Contudo, é bom lembrar que as quarentenas começaram a vigorar pelo País apenas no finzinho de março, ou seja, durante quase todo o trimestre, a economia operou normalmente.
E é aí que mora o perigo. O segundo trimestre deve ser quase todo impactado por restrições à circulação, o que nos leva a crer que o próximo resultado do PIB deve ser muito pior do que este. Mais: com o desemprego disparando, os trimestres seguintes devem também ser comprometidos, já que ninguém vai às compras quando falta dinheiro.
Partiu Disney Beto Carrero World.
O turismo internacional fica cada vez mais difícil e, com isso, a situação das operadoras é cada vez mais complicada. Segundo dados da Braztoa (Associação Brasileira das Operadoras de Turismo) mais da metade das operadoras de turismo no País não realizaram nenhuma venda no mês de Abril.
Com quarentenas e fronteiras fechadas mundo afora, a demanda por pacotes turísticos e viagens no geral é cada vez menor. A esperança das empresas como a CVC (CVCB3) é de que, ao longo do segundo semestre, pelo menos a busca por destinos domésticos comece uma retomada.
A volta das viagens internacionais deve demorar ainda mais. Além das fronteiras fechadas, do real desvalorizado e da previsão de redução da atividade econômica graças ao COVID-19, na segunda-feira (25) o Presidente Jair Bolsonaro vetou artigo da MP 907 que diminuía o imposto cobrado sobre remessas internacionais. Com o veto, comprar pacotes e viagens internacionais fica ainda mais caro para o brasileiro.
Exame made in Brazil.
O Grupo Fleury (FLRY3) anunciou o desenvolvimento de um novo teste para detecção do COVID-19. Através de seu departamento de Pesquisa & Desenvolvimento, o Grupo desenvolveu um teste diagnóstico para o vírus que aumenta a capacidade de realização de exames de seus laboratórios em 1.500 testes por dia.
A metodologia inédita desenvolvida utiliza em sua maioria insumos nacionais, possibilitando um exame mais barato do que os mais conhecidos, que possuem uma maior parcela de componentes dolarizados. O Fleury novamente se mostra uma empresa de excelência e pioneirismo na batalha contra o coronavírus.
Temporada de Balanços.
O Magazine Luiza (MGLU3) mostrou a força de seu e-commerce em sua divulgação de resultados do 1T20. Em um período de contração na atividade na maioria dos setores, a Varejista viu suas vendas do e-commerce disparando e compensando parcialmente a queda de receita e o aumento das despesas como percentual da receita causado pelo fechamento de lojas físicas.
A Empresa reportou prejuízo líquido de R$8 milhões, que, ajustados para efeitos não recorrentes, seria um lucro líquido de cerca de R$30 milhões.
Um novo protagonista vindo da China entrou nos holofotes nesta semana. E, por incrível que pareça, não estamos falando do COVID-19: trata-se do setor de siderurgia. Associações do setor de aço da China e grandes siderúrgicas chinesas solicitaram um aumento na produção do minério de ferro e um aumento nos investimentos em exploração no exterior para assegurar a oferta.
Sendo tão ovacionado, o minério de ferro não ficaria na dele, tanto que o contrato futuro da commodity disparou nos últimos dias e voltou ao patamar de US$100, valor que era negociado nos dias de glória das Bolsas mundo afora. O interessante é que, mesmo com os impactos da pandemia do coronavírus, o minério de ferro mostra ganhos em 2020, o que não descarta a atenção que devemos ter no segmento, já que o cenário mundial ainda não é dos melhores.
Contudo, o aumento da oferta tão aclamado pelos chineses poderia levar a uma pressão dos preços. Então, é um olho no peixe e um olho no gato, ou ainda, um olho nos chineses e um olho nas empresas.
Mas ainda não vimos essa pressão pra baixo no preço do minério de ferro e os ativos do segmento também não, tanto que Usiminas (USIM5) e Siderúrgica Nacional (CSNA3) tomaram o topo das principais altas, ajudando o Ibovespa a fechar a semana em território positivo.
Por mais que tudo isso esteja acontecendo em terras orientais, para nós ocidentais tem uma proporção tão gigante quanto a população da China, já que, uma recuperação do monstro asiático trará reflexo no resto do mundo.
Reabertura em meio ao caos.
No início da semana, as Bolsas mundiais subiram ainda com a expectativa de uma abertura da economia em vários países. Apesar das altas, ainda pairavam as preocupações com os atritos entre EUA e China.
A Nasdaq, uma das principais Bolsas responsáveis pela alta do mercado americano nos últimos meses, foi umas das que mais sentiu o peso dos conflitos, já que possui ativos de empresas de tecnologia chinesas em seu portfólio.
Ainda assim, os investidores continuam apostando que o pior da crise já passou e que estamos próximos da criação de um medicamento que ajude no combate à pandemia.
No Reino Unido, a restrição pode cair em junho, de acordo com planos do governo, enquanto a Espanha pretende acabar com a quarentena obrigatória para os turistas em julho e já em 1° de junho voltar com parte do comércio para a população local.
Na França, foram criadas zonas com diferentes restrições para bares e restaurantes, com abertura prevista para 2 de junho. Já na Alemanha, o governo pretende ampliar as restrições de viagens a 31 países.
O presidente norte-americano, Donald Trump, já havia avaliado na terça-feira (26) a aplicação de sanções contra o país asiático como forma de retaliação à possível proposta de uma lei de segurança nacional que fere diminui a independência de Hong Kong.
Mais detalhes vieram na sexta-feira (29), depois do pronunciamento em que afirmou que medidas serão tomadas contra autoridades envolvidas na lei. Com isso, Trump diz não reconhecer mais a independência da cidade chinesa e irá retirar condições tarifárias especiais.
Além disso, Trump acusou novamente a China de ser responsável pela pandemia de coronavírus e informou que o governo americano criará planos protetivos para que bancos e universidades dos EUA não sejam alvos da espionagem chinesa. Outra fala polêmica da coletiva foi de que os Estados Unidos não terão mais relações com a OMS.
Mesmo com um movimento mais misto durante a semana e com as falas de Trump, o S&P500 sobe e termina no positivo, digerindo os posicionamentos do presidente e de olho nos próximos movimentos dos dois países.
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