Detesto datas comemorativas...

 
Nota do editor: Olá. A brincadeira aqui em casa é que eu sou do tipo que seria perfeitamente capaz de esquecer o próprio aniversário. Confesso, sou um tremendo ogro quando o assunto é datas comemorativas, como o Dia das Mães. Tentei remediar minha falta de habilidade, se assim posso dizer, procurando algo relevante para você. Foi a Andrea Jurse, diretora Comercial e de RI da Eleven, que quando começou a contar sua própria história, me deu a solução. É assim que você recebe hoje a Sunday Porandubas: - Déa que história sensacional, você tem que dividir! Escreve por favor?"
 
Detesto datas comemorativas...
Hoje faço "usucapião" deste espaço - na verdade, gentilmente cedido pelo Bruno para dar um toque feminino e falar de algo que não gosto: datas comemorativas.

A justificativa
é banal e meio "clichê". Acredito que não deveríamos esquecer um só dia do quão especiais e importantes são as pessoas que nos cercam, que enchem nossa vida de cor e de significado. Dia dos pais, dia das crianças, do médico, do advogado, do investidor...

Mas hoje queria dividir uma história pessoal, íntima, que pouca gente conhece e que merece ser dividida nesta data. Dar luz à essa história significa dar voz a representação de tantas outras histórias e trajetórias incríveis de um momento mágico de ser humano: a história de uma mãe.

Afinal de contas, todos n
ós passamos nove meses no ventre de uma e só estamos aqui hoje, vivendo e compartilhando o presente, em consequência disso. Vamos falar do Dia das Mães.

Um dos grandes benefícios da minha vida profissional é que, sendo comercial, tenho o prazer de conhecer gente, criar vínculos e me aproximar de histórias interessantíssimas. Poder representar uma empresa com propósito de entregar algo que vai mudar a vida das pessoas, seja no âmbito pessoal, na construção e evolução de patrimônio, seja no âmbito profissional, como parte da rotina de trabalho de muitos que querem tomar as melhores decisões de investimento ou dar um "carinho" adicional aos seus clientes, me faz realizada.

Cada gota de suor vale à pena.

Em algumas andanças que esta vida me proporciona, em palestras e eventos, tive que contar quem sou e minha trajetória. Sempre começo em um ponto comum, repetindo uma mesma história: a da minha mãe.

Depois de repetir algumas vezes o processo, refleti sobre o tamanho da influ
ência dessa mulher cheia de lutas, batalhas e força em quem eu sou. É onde tudo começa...

Dona Arlete, é assim que é conhecida essa figurinha. Mineira do "interiorzão", daquelas cidadezinhas bem pequenininhas. Família simples, de quatro irmãos: um menino e três meninas. Ela, a primogênita, em um tempo em que mulher não estudava e era preparada para ser a dona do lar. Tive sorte de ter avós que viam valor no estudo: o conhecimento liberta. A partir desse norte que toda a história se desenrola. Minha mãe pegou gosto pelo estudo. Caminhava por horas a fio na terra para chegar à escola.

Os anos se passaram, e ainda muito jovem, ela se deparou com a primeira decisão difícil: para dar continuidade aos estudos, precisaria se mudar para uma cidade maior e ficar longe da família. Com todo apoio, foi o que ela fez. Seguiu para morar com o casal que ganhou carinhosamente o apelido de padrinhos. Fez magistério. Deu aulas para se sustentar. Foi aí que conheceu uma de suas melhores amigas (a amizade perdura até hoje, passando por poucas e boas que valeriam um outro capítulo). Ela foi fator crucial em mais um momento de grandes decisões da vida da minha mãe: "Vamos para São José dos Campos?". Essa pergunta resume o sim da coragem e do desconhecido. E ela foi.

"Sanja"
Foi em São José (famosa "Sanja" para os transeuntes que ali habitam) que ela decidiu fazer faculdade. O estudo foi a força motriz de sempre. As escolhas eram escassas: Medicina, Engenharia ou Direito, este último, foi o caminho pelo qual enveredou. Teve que se virar na cidade desconhecida e sem laços, ainda mais longe da família. Formada, procurou trabalho.

Conseguiu uma vaga como secretária no jurídico da Embraer, empresa que os engenheiros dominavam e época em que mulher não "se misturava" no ambiente de trabalho.

O impulso foi maior: achou seus caminhos e foi a primeira mulher aceita no jurídico da empresa.

Como ela, tantas outras pessoas ali fizeram hist
ória. Conheceu meu pai. Casou. Foram escolhidos – na década de 1970 para tocar o projeto de internacionalização da empresa nos Estados Unidos, em Fort Lauderdale. E foi lá que, no meio dessa trajetória de carreira incrível para uma mulher naquele tempo, de repente...

Mãe  
Engravidou da primeira filha. Vieram a segunda e a terceira (eu!). Assim, decidiram voltar para perto da família e criar as crianças aqui no Brasil. Uma família apaixonada e feliz.

Infelizmente, a vida prega algumas peças e aquilo que parecia eterno, chega ao fim... separação. A separação dos meus pais colocou mais uma vez
em prova a força desta mulher que, com três filhas pequenas, teve que cuidar de todos os aspectos das nossas vidas: financeiro, formação, caráter... a luta era diária.

Via todas as cicatrizes e marcas quando, de manhã, ela preparava nosso caf
é da manhã, corria para o trabalho, voltava para fazer o almoço, corria para o trabalho, nos buscava à noite em alguma atividade (ballet, minha favorita), fazia a "ronda noturna" para ver se tínhamos arrumado a casa Sim, a vida era de pura disciplina e ainda garantia que fôssemos as melhores alunas das nossas turmas. Tudo isso equilibrado com o lado da profissional exemplar.

Mais para frente "bancou"nossos sonhos, faculdades, moradias e outros custos fora de "Sanja". O sonho e o investimento eram para formar as filhas para o mundo. E continuava cuidando, do seu jeito, mandando de longe todo o carinho que podia. Não há um dia que não me pergunto: como ela fazia tudo isso?!!... Eu acho que a única coisa que explica é o título: mãe. O amor de mãe faz o possível e o impossível.

Hoje, à distância
Três filhas formadas para a vida, desenvolvendo suas carreiras. Missão cumprida! Esse era seu grande sonho.

Sei que devo tudo a ela e tenho a maior gratidão do mundo.

Continuamos morando em cidades diferentes. Em tempos de Covid-19, optamos por não nos ver. Tenho tantas saudade e uma preocupação que não cabem dentro do peito. As ligações são longas e cheias de saudade. E, como eu, tantas outras famílias estão na mesma situação. Mães que não podem ver os filhos. Mães que esperam um bebê chegar. Mães que já se foram. Futuras mães...

Voc
ês nos movem a sermos melhores e a termos força a cada dia.

Essa história é apenas uma fração do que representam milhares de outras vidas de mulheres incríveis e batalhadoras. Cada uma do seu jeito. Fica aqui uma homenagem em nome da Eleven Financial à todas vocês que têm no DNA uma das mais belas missões do mundo: ser mãe.

Um maravilhoso Dia das Mães a todas vocês!

 
 
Bruno Boni
CMO

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