Em tempos de coronavírus, “cash is king”  Diante da escalada da epidemia de coronavírus e em um cenário de grande aversão a risco, investidores têm seguido à risca a regra do “cash is king”. Com a ampliação das posições mais líquidas, os níveis de caixa dos portfólios alcançaram o maior nível desde o atentado de 11 de setembro, em 2001, subindo de 5,1%, em março, para 5,9%, em abril – acima da média dos últimos dez anos, de 4,6%. Os dados fazem parte da pesquisa “Global Fund Manager”, elaborada pelo Bank of America entre os dias 1 e 7 deste mês, com 207 gestores que administram US$ 597 bilhões em recursos. Com um maior pessimismo do mercado, que já vê como certa uma recessão neste ano, investidores reduziram o apetite a risco, com 27% dos gestores afirmando estar com posição “underweight” (abaixo da média do mercado) em ações – a menor alocação em 11 anos. Já a posição “overweight” (acima da média) no mercado acionário americano subiu para 15%, tornando a região a preferida, após cinco meses perdendo a liderança para os emergentes. Grandes gestores de fundos multimercado brasileiros, como Verde, Bahia Asset e Legacy também têm sinalizado maior interesse pela bolsa americana. A expectativa de uma retomada mais rápida da economia (e do mercado) na crise e a maior oferta de ações para a diversificação no novo contexto justificam a aposta em Wall Street, principalmente em ações do setor tecnológico, beneficiadas pelas mudanças em curso. Por ora, há maior preocupação com o impacto da crise sobre a atividade brasileira, o que tem levado investidores a ficarem cada vez mais céticos com o desempenho da Bolsa doméstica. (leia mais aqui) Mariana d'Ávila e Beatriz Cutait, repórter e editora de Investimentos do InfoMoney |